Baby Espíndola Repórter
Jornalismo com opinião.

Jornalista Luiz Carlos de Espíndola vem exercendo, desde 1974, atividades em jornais (Diário Catarinense, dos Associados, O Estado, JSC, A Notícia, DC, do Grupo RBS, Tribuna Criciumense, de Criciúma, Gazeta do Alto Vale, de Taió-SC), todas as rádios de Florianópolis e de outras cidades, TV Cultura (hoje Record), RBS TV e TVBV. Fundou os jornais O Metropolitano e Paladino da Justiça. Atualmente, é o Assessor de Imprensa da Câmara Municipal de Palhoça, e comentarista da TV Itaguaçu. Escreve para vários jornais. Baby Espíndola especializou-se na informação analisada, comentada. Jornalismo com opinião.

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O presidente da moto serra. E da coceira
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editorial


11/03/2008
DAS BOMBAS NA CUECA VAZIA, AO AZULÃO DE VERDE

      Aquele bandidinho, Franklin Roger Pereira, 22 anos, que levou duas bombas, cada uma do tamanho de uma caneta, para o interior do estádio do Criciúma, não tinha mais nada para esconder na cueca. Diante da necessidade de se fingir de machão, uma prerrogativa de bandidos vestidos de torcedores, ele concordou em aumentar o volume abaixo da linha da cintura. Nada mais conveniente.

Como ele não tinha mais nada dentro da cueca, as duas bombas ocuparam o espaço vazio. E fizeram um bom volume de macho! Então, ele inflou o peito, e marchou com a torcida, com pose de herói. Muitos sabiam que ele, o otário, escondia as bombas no espaço vazio da cueca. Ele, cheio de razão. Os outros, que não queriam correr riscos com a segurança do estádio, rindo do retardado. Aconteceu como uma iniciação ao grupo da violência azul. Se levasse as bombas, passaria no teste, seria aceito. Mais um “macho” no grupo.

       A MÃO DA BENGALA – Por conta dessa necessidade de auto-afirmação masculina, o aposentado, de 62 anos, Ivo Costa, perdeu a mão direita, com a explosão de uma das bombas. E a segunda bomba? Sobre ela ninguém diz nada. E agora? Seu Ivo tem relativa deficiência física, usava uma bengala na mão direita, como apoio, para poder andar. Oh, seu Ivo, o senhor, um homem decente, o que foi fazer tão perto de bandidos?

       BOMBAMONTADA NO ESTÁDIO – Estranho. Muito estranho! O comandante geral da PM de Santa Catarina, cel. Eliezer, declarou, num programa de televisão, que fora informado, por fonte segura, de confiança, que a bomba que amputou a mão do torcedor do Criciúma, fora montada no interior do estádio. Essa declaração, pelo menos em tese, absolveria os policiais encarregados da segurança, no acesso ao estádio. Porém, simultaneamente, o “mula” dos bandidos azulados, o tal Franklin, confessava, ao delegado André Milanese, da Deic, que entrara no Heriberto Hülse, com as duas bombas, justamente no local onde deveria haver um pinto. E o caso está tomando forma justamente com base na confissão do acusado. A informação do comando da PM, não foi levada em conta, pela Polícia Civil e Ministério Público.

       ATRÁS DA MOITA – Autoridades do Ministério Público, da PM, lideranças do futebol, realizaram sucessivas reuniões, desde que ocorreu a explosão de uma bomba, no Estádio Heriberto Hülse. Descobriram, tardiamente, aquilo que todo mundo já sabia, que existe bandidagem entre as torcidas ditas organizadas, que não passam, em verdade, de grupos de desordeiros, delinqüentes. Eles sabem que, agindo em grupos, todos ficam mais fortes. Ninguém assume, pessoalmente, nada. Ainda sobre as muitas reuniões... Segundo relatos, os grandes macacos também fazem reuniões. Sentam-se em volta de um ou mais cachos de bananas, comem à vontade, defecam e jogam fezes uns nos outros. Algo fede demais. Tem gente precisando desocupar a moita.

       CUMPRAM A RESOLUÇÃO – Desocupem a moita, porque falam, falam, mas não agem. Agora estão propondo tudo. São capazes de inventar a galinha dos ovos quadrados. Por exemplo, não há uma resolução da Federação Catarinense de Futebol, proibindo torcidas organizadas, fantasiadas, em estádios de adversários? Pois que cumpram. Para evitar outras tragédias, pois essa de Criciúma não foi a primeira e, infelizmente, não será a última. O sangue do sr. Ivo já secou. Sua dor foi esquecida. Outras tragédias vão se sucedendo. Afinal, aqui é Brasil. Adotem medidas rígidas para acabar com as ações delinqüentes das torcidas. Pelo menos, respeitem o sofrimento do sr. Ivo!

       RÁPIDA INVESTIGAÇÃO – Em 2006, quando outro bandido, vestido de azul, matou, com uma pedrada, um torcedor do Joinville, foi o mesmo barulhão. Reuniões, propostas. Mas, ficou tudo como estava antes. Torcidas organizadas, com seus bandidos disfarçados de torcedores, na impunidade total. Alguém está pagando pela morte do garoto do Joinville? Alguém vai ser punido, pela desgraça do sr. Ivo? A delinqüência vai subverter a ordem pública, normas e leis serão atropeladas. Por ora, cumprimentos à Polícia Civil e ao Ministério Público, particularmente ao delegado André Milanese e toda a sua equipe, ao promotor Andrey Cunha Amorim, pela rápida investigação. Mas, por favor, punição rigorosa para os culpados. Somente uma punição exemplar será capaz de impor ordem nos estádios.

       AZULÃO DE VERDE – Guilherme e Franklin foram, de imediato, transferidos para o Presídio Santa Augusta, de Criciúma, comarca dos fatos. O soldadinho Juliano Marinho de França, 22 anos, passou alguns dias em situação de detido, no Exército, no quartel do 63º. Batalhão de Infantaria, no Estreito. Deu baixa, na sexta-feira, 29, para ser preso pela Deic, para cumprir 30 dias de prisão temporária. Enquanto esteve detido no Exército, era o azulão protegido pela farda verde. Não mostrava a cara, não dava entrevista, não se explicava. Inclusive, o coronel Oliveira Pinto declarou ao jornal DC que, “enquanto for militar, Juliano não dará entrevistas”. Felizmente, não é mais.

       PÁGINA DE VIOLÊNCIA – E o Exército Brasileiro, por que não expulsou, imediatamente, o soldado, suspeito do atentado contra a vida do sr. Ivo? O setor de inteligência do Exército não sabia que Juliano Marinho de França tinha uma página de relacionamento na internet, para incentivar a violência?

       HAVERÁ PUNIÇÃO? – O povo pergunta, nas ruas: o que vai acontecer com Franklin, com Juliano Marinho de França, o ex-soldado, e com o funcionário público Guilherme Augusto Fretta Lacerda, o terceiro suspeito. E, quando toda essa violência vai ter fim? Certamente, quando o IBI – Instituto Brasileiro da Impunidade – for extinto. Quando for proibido usar enchimento na cueca, para provar que é macho.

       MAIS DUAS BOMBAS – A Polícia Civil, exibiu à imprensa, mais duas bombas de fabricação caseira, que seriam, segundo a investigação, de propriedade do funcionário público Guilherme Fretta. Procurem, que tem mais: bombas, mau caráter, desordem, roubo, furto, assalto, estupro, tráfico de drogas. São componentes das fichas de alguns torcedores fanáticos, desocupados e inúteis. “Bandidos”, como disse o presidente da FCF, Delfim de Pádua Peixoto Filho. Continuem procurando. “Machão” com muito volume abaixo da linha da cintura, é bomba, com certeza.

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NOTAS FRIAS PARA VIAGEM DE LULA

Quem cala, consente. Velho dito popular, mais atual do que nunca. “O Tribunal de Contas da União (TCU) detectou 27 notas fiscais frias, na prestação de contas de aluguel de veículos, que o Planalto fez com os cartões corporativos para viagem do presidente Lula a Ponta Porã (MS), em 2003”.

Grave denúncia, em reportagem do jornal Folha de São Paulo, de 14 de fevereiro, que repercutiu no jornal Hora de Santa Catarina, do Grupo RBS, edição de 15 de fevereiro, do qual extraí esse pequeno trecho.

       “Na ocasião, o Planalto liberou ao menos 206 mil reais, para a locação dos automóveis, mas o dono da empresa disse ter cobrado apenas 40 mil reais, ou seja, menos de um quinto do valor”.

Onde foi parar o resto do dinheiro público? Até agora, não li uma única linha, tendo como fonte o Palácio do Planalto, desmentindo o fato. Veja que os jornais citam o TCU, como fonte da informação. Mas, ainda fico com a palavra do presidente Lula da Silva, quando diz que ninguém tem mais ética do que ele nesse país.  

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VENDILHÕES DO TEMPLO

O Congresso Nacional, formado pela Câmara Federal e o Senado, e as assembléias dos estados, via de regra, se transformaram em casas de negociatas. Quando alguém declara: – Estamos dialogando, conversando, entenda, literalmente como estamos negociando, de acordo com os princípios básicos do  toma-lá-dá-cá. Se algum parlamentar se insurge, geralmente, seu pronunciamento é acompanhado por poucos. Uma grande maioria se refugia em seus suntuosos gabinetes, templos das negociatas. Isso torna mais fácil identificar quem são os vendilhões do “templo”. 

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465 MIL ASSASSINATOS

Nos últimos dez anos, quase meio milhão de brasileiros foram assassinados. Isso é um fato. Difícil é confiar na versão oficial de que o índice de homicídios está diminuindo. Entre 1996 e 2006, cerca de 465 mil pessoas foram assassinadas no país, a maioria a tiros, de acordo com o levantamento realizado por duas ONGs.

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EFICIÊNCIA NA INFORMAÇÃO

Minutos depois da decisão judicial, na terça-feira, 4, o novo capítulo da novela Fernando Elias já estava no blog www.babyespindola.blogspot.com .Assim foi postada a informação: “O prefeito Fernando Elias (PSDB) acaba de ser beneficiado por uma liminar, da Justiça de São José, que suspende os efeitos do Decreto Legislativo 008/2008, que determinava o seu afastamento da Prefeitura (...)”. A Câmara vai recorrer à justiça. O blog existe exatamente para ser dinâmico e eficiente. Um jornal eletrônico que pode ser canal de informação a qualquer momento.

 

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QUEM TEM UM CAPITÃO,
NEM PRECISA DE PREFEITO

Façam suas apostas, senhores e senhoras. Quem será o prefeito de São José, nos próximos dias? O atual, Fernando Elias (PSDB), foi notificado pela Câmara, através do Diário Oficial, para deixar o cargo. O vice, Valdemar Schmidt (PSB), já mandou confeccionar o terno da posse. Elias ganhou uma liminar, que lhe permite permanecer no cargo. A Câmara está recorrendo da decisão judicial, para derrubar a liminar. Pelas ruas da cidade, o povo anda dizendo: Quem tem um “Capitão”, nem precisa de prefeito.

 

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DOS BASTIDORES: A TERRA TREMEU NO NINHO TUCANO

Na noite de quinta-feira, 28, um dia antes da Sessão Extraordinária, que votou o afastamento do prefeito Fernando Elias, de São José, a grande cúpula do PSDB promoveu uma reunião regional, no diretório ou ninho tucano, do edifício Terra Firme. Um dos temas da reunião da Executiva Regional, fez a terra tremer, no ninho dos tucanos. O vice-governador, Leonel Pavan, na posição de presidente estadual do PSDB, o deputado Marcos Vieira, presidente regional, o deputado federal, Gervásio Silva, chefe da Executiva Municipal, todos imploraram para que Édio Vieira cancelasse a Sessão Extraordinária, para afastar o prefeito Fernando Elias. Pelo menos adiasse, ou que ponderasse em sua determinação de enviar Elias para o passivo administrativo.

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CONTRA O JEITINHO BRASILEIRO

O vereador Édio Vieira não cedeu às pressões dos correligionários. Nenhum argumento, nem mesmo a velha cantilena, de que “é ano eleitoral, o partido vai sair perdendo”, foi capaz de sensibilizar o presidente da Câmara de São José. Nem mesmo o demorado telefonema do governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB). Tanto é que, na sexta-feira, comandou a Sessão Extraordinária, visando “punir” Elias. Édio Vieira demoliu todas as pretensões daqueles que se mantém no poder, aplicando sempre a Lei de Gerson, pelos caminhos obscuros do jeitinho brasileiro.

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ESTRUTURAS ABALADAS
O medo das lideranças do PSDB e PMDB de Santa Catarina, é que a crise de São José possa ultrapassar fronteiras, a ponto de prejudicar as boas intenções da Tríplice Aliança (PMDB, PSDB, DEM), no projeto regional das eleições municipais. Fato é que, em São José, os vereadores peemedebistas, que ajudaram na eleição de Fernando Elias / Valdemar Schmidt (agora no PSB, de Djalma Berger), votaram pelo afastamento do prefeito, que pode resultar na cassação.

 

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GOVERNADOR ALEGA TRAIÇÃO

Essa posição da bancada peemedebista, de votar pelo afastamento do prefeito Fernando Elias, abalou as estruturas da vitoriosa coligação. E está dando sumiço aos últimos fios de cabelo do governador Luiz Henrique da Silveira, que chamou os vereadores da bancada do PMDB, de São José, de traidores. Em nota à imprensa, num momento delicadíssimo da vida pública em São José, na tarde de terça-feira, 4, o governador manifestou, publicamente, sua solidariedade ao amigo, prefeito Fernando Elias. Segundo a Assessoria de Imprensa da Prefeitura de São José, LHS mandou dizer que “ acredita na inocência do prefeito e se diz traído pela bancada de vereadores do PMDB de São José”.

 

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ALBERTO PRIM NÃO ESTÁ INELEGÍVEL

Apesar dos comentários que circulam pelos corredores, esquinas e que fazem ponto em botecos, bares e barbearias o vereador Alberto Prim ainda não pode ser considerado inelegível. Isso porque, embora o julgamento do Tribunal Superior Eleitoral, decidindo pela inelegibilidade por três anos, ainda não saiu o acórdão. Por essa peça fundamental, Prim está esperando para “fazer o agravo, junto ao relator do processo”, ministro José Delgado, do TSE. Só depois, recorrerá ao Supremo Tribunal Federal, desde que seja matéria constitucional. E tudo indica que é. Enquanto a matéria não transitar em julgado e houver a chance de recorrer, não se pode afirmar que o vereador está inelegível.

 

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MOSQUITO OU GAMBÁ

Tem aquele ditado antigo... “Papagaio come milho, periquito leva a fama”. Pois é, algo quase assim está acontecendo em Palhoça. O agente de saúde, Zauri da Silva, o popular “Fuça”, bom zagueiro (chutava até pensamento), instalou armadilhas para capturar mosquitos da dengue, na região do bairro Pachecos, mas acabou pegando um gambá, bem fedorento, dizem. Línguas maldosas afirmam que o Fuca ficou na dúvida: afinal, o bicho da armadilha é um mosquito da dengue ou um gambá? Que maldade com o nosso Fuca!

 





O QUARTEL GENERAL DE FERNANDO ELIAS

Difícil prever o desfecho final do provável confronto, entre parte da imprensa e membros da Guarda Municipal, na Prefeitura de São José. Eu, particularmente, estava decidido a subir até a “cobertura”, onde está pomposamente instalado o gabinete do prefeito Fernando Elias. Não cometeria nenhum ato de agressão, nem de reação. Apenas pretendia chegar até o centro do poder público de São José, armado com caneta, papel, gravador e uma câmera digital. Mas, passaria pelo esquadrão do quartel general de Fernando Elias, passaria, sim, podem acreditar. Não há como entender, o motivo que levou Fernando Elias a restringir o acesso ao prédio público, que ficou isolado pela Guarda Municipal e Polícia Militar. Só os amigos do rei poderiam passar.

A imprensa simplesmente desejava subir até o gabinete de Fernando Elias, para registrar o trabalho dos vereadores Osni Meurer e João Rogério de Farias, citando o prefeito sobre seu afastamento. Não havia uma justificativa para impedir o acesso da imprensa. O que se observou no hall de entrada da Prefeitura de São José, na manhã de segunda-feira, 3, a partir das 9 horas, foi uma violência à liberdade de expressão.

Um notório abuso de poder. Até a recepcionista, gritava palavras de ordem por detrás de um balcão arredondado. Ela e membros da Guarda (particular de Elias) Municipal só argumentavam que receberam ordens para ninguém subir. Por conseqüência, até os vereadores, passaram um longo tempo, tentando convencer os guardas, para entrar no elevador.

A crise, de conseqüências imprevisíveis, somente foi resolvida, graças à sábia interferência da jornalista Rafaela Linhares, Chefe da Assessoria de Imprensa da Prefeitura, que, em poucos minutos, liberou o acesso à imprensa e aos vereadores, que são autoridades constituídas, formam o conjunto do Poder Legislativo.

Os senhores membros da Guarda Municipal estavam cumprindo ordens, estrategicamente postados, diante do elevador, e impedindo o acesso às escadas. Receberam ordens, que estavam cumprindo. Perfilados, firmes. Cumprindo o dever, por força de contrato. O erro, a grotesca falha, aconteceu a partir da estapafúrdia ordem, que tinha um único objetivo, impedir que os vereadores encontrassem Fernando Elias, que vinha fugindo do “comunicado de afastamento”, como aquele velhaco do inferno foge da cruz. Outra decisão, digna de escárnio, foi a restrição ao trabalho da imprensa. Por isso, montaram um clima de guerra na Prefeitura.

Há que se registrar que, com exceção de um empurrão a um cinegrafista, nada de grave, nada comparável ao coice de uma mula, os senhores da Guarda Municipal não cometeram exageros. Até que se comportaram bem, o que os faz merecedores de respeito – apesar das muitas multas que aplicam, isso é que, de fato, incomoda.

Porém, um aprendiz de segurança, diante da reação da imprensa, fez ironias, trocadilhos, ditou uma ameaça – “Vou te pegar! –, claro, em tom muito baixo, para a platéia não ouvir. E aí fica o questionamento: a que ponto chega um homem, na iminência de perder o poder, para postar, na entrada da prefeitura que administra, um rapazola, despreparado, dotado da arrogância das sarjetas. Repentinamente revestido de poder, o pobre moço (ainda tem futuro, é novinho!) estava para reagir no hall de entrada da Prefeitura de São José, como reagiria numa contenda de bairro da periferia. Valente, irônico e supostamente ameaçador, mas sempre tentando fugir do foco da câmera digital. Mas, acabou sendo flagrado. Quase que escapou. Na foto, parece meio tombado, tocado pelo vento sul, mas ficou no registro fotográfico. Nem parece assim, tão ameaçador. Se cabe aqui, uma comparação, nos faz lembrar uma pulga no pelo de um elefante. Que não ameaça, apenas faz cócegas.

 

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18/03/2008

O CALVÁRIO DA MENINA MARIA VITÓRIA,
MUTILADA, IMOLADA E UNGIDA COM PIMENTA

Quando penso que nada mais me revolta, nesse pais de desatinos, corrupção, violência, degeneração humana, hipocrisia, insensatez, rituais macabros e satânicos, eis que surge um fato novo, sempre mais violento que o anterior.

Desta vez, as manchetes anunciam: empresária é presa porque torturava uma menina de 12 anos, que adotara em Goiás.

E eu que imaginava que a última aberração da raça humana, hospedada no Brasil, tinha sido a morte do menino João Hélio, no subúrbio do Rio de Janeiro. Naquela ocasião, considerei, mais brutal do que a ação dos criminosos, que arrastaram o corpinho de João Hélio, por quatro quarteirões, a declaração do presidente Lula da Silva. O sangue do menino ainda estava no asfalto imundo, quando o presidente, assumindo a hipócrita postura de sociólogo de plantão, declarou, à imprensa, que “não se pode fazer nada contra esses garotos”, referindo-se aos adolescentes que assaltaram a mãe, roubaram o carro e arrastaram João Hélio até a morte. Mais grave que o crime, foi a absolvição prematura daquele, de quem esperamos que um dia, ostente a tocha da Justiça, no combate às barbáries que assolam o povo brasileiro.

E, agora, temos mais um drama, da maior gravidade. Um exemplo claro de uma violência chula, que está hospedada nas vísceras dos brasileiros, independentemente do nível social, padrão de vida, cultura, status, etc.

A mulher, acusada de torturar a filha adotiva, se auto proclama empresária. Sílvia Calabresi Lima, 42 anos, já foi proprietária de loja de confecções e até construiu casas para a classe média de Goiânia, capital de Goiás. Mas, não se sabe, exatamente, o que ela produzia, antes de ser presa. Talvez ela tenha uma chocadeira de ovos de serpente. Ou produza prostitutas para políticos e alguns empresários. Ou venda pele de criança, para a produção de sapatos exóticos.

Fato é que a monstrenga Silvia mantinha, há dois sofridos anos, a menina Maria Vitória em cativeiro, no interior de seu apartamento. Sabem onde? Numa favela, num bairro pobre? Não. O apartamento da gadelhuda empresária está muito bem situado no elegante Setor Marista, um bairro nobre de Goiânia. Ela foi presa nesta segunda-feira, 17, em flagrante, sob protestos, negando o crime, jurando inocência. Acusação: tortura e cárcere privado. A empregada doméstica, Vanísia, que participava das séries de torturas, durante dois anos, também foi presa.

E todos aqueles que formaram fileira no batalhão da omissão, deverão ser punidos. E com razão. Como pode alguém ignorar o sofrimento, o choro desesperado de uma menina, que era espancada e até mutilada com ferro quente? Só um monstro é capaz de virar as costas para tamanho sofrimento. O marido da maldita torturadora e outros dois filhos, estes legítimos, também podem ser acusados por omissão.

 Estamos, agora, no quarto de tortura. Há toda uma atmosfera de terror no ambiente. Uma mulher forte, submete uma frágil criança aos horrores do submundo de sua mente pervertida. Há um nauseante cheiro de carne queimada no ar. Vem das queimaduras provocadas pelo ferro elétrico. A menina indefesa, quando não está pendurada pelos pulsos, é afogada constantemente pela mãe adotiva.

 Submissa e dominada, talvez a criança acredite que isso é normal, que se trata de uma relação natural entre mãe e filha. Talvez, o caminho para alcançar o futuro, que ela sonhava, ao deixar o lar pobre dos pais, para se alojar na toca da víbora. Talvez, até a bicicleta prometida, surgisse diante dela, numa data qualquer. Mas, que nada... Só as torturas rotineiras, os gritos histéricos, as ofensas horrendas.

 À noite, quando ainda pendurada pelos frágeis bracinhos, era atormentada pelo medo. Quando adormecia, vinham os pesadelos: demônios enraivecidos, com as ventas ensangüentadas, ameaçavam devorá-la. Acordava, às vezes, imaginando que estava sendo violentada, enquanto alguém entoava uma cantiga imoral. De tanta violência, já não sabia mais a diferença do real e da fantasia.

Para abafar os gemidos, a mulher aperta a língua da criança com um alicate. Mas, só isso não basta. Ela enforca a menina com um fio elétrico. Ela sente prazer em ver a criança sufocando, respirando com dificuldade. É um ritual, extremamente sádico. Quando Maria Vitória consegue, grita de dor. Os gritos são ouvidos no apartamento, pelo marido, pela empregada, pelos filhos do casal, e até pelos vizinhos omissos, aqueles da trincheira da omissão, do não é comigo, por que vou me incomodar?

Após as constantes sessões de tortura, a criança ficava amarrada, pendurada pelos punhos, na área de serviço. Alguém tem conhecimento de semelhante sofrimento? Nem mesmo da era medieval, nos chega tão absurdo relato. Os torturadores de ontem e de hoje, sempre têm um propósito. Mas, por que Maria Vitória era torturada? Será que a suposta empresária aprendeu tais métodos de tortura, com os carrascos da Inquisição? Pelo requinte de crueldade, é possível.

Maria Vitória. O nome é fictício. Maria, por ser comum. Vitória, porque sobreviveu às torturas, e conquistou a liberdade.

E a mãe biológica, em dois anos, nunca falou com a filha, não teve oportunidade de ver suas chagas? Ela tinha acesso à casa, onde trabalhou para a agressora, como doméstica. Segundo os fatos, Maria Vitória foi adotada pela mulher Sílvia, há dois anos.

A fala da menina está prejudicada, porque a língua quase lhe foi arrancada. "Nunca vi um caso assim”, disse a delegada Adriana Accorsi, titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, que também apreendeu, no ambiente de tortura, instrumentos como alicate comum, alicate de unha, que teriam sido usados para ferir a menina na língua, costas, mãos e pés. Sílvia foi denunciada por vizinhos. Por isso, questiona-se: por que, só agora, dois anos depois do calvário de Maria Vitória, os vizinhos resolveram denunciar?

Além dos vizinhos omissos, vamos tratar, aqui, da cachorrada do próprio apartamento: o marido, o engenheiro civil Marco Antonio Calabresi Lima, um filho do casal, estudante de Engenharia, que confessou, sabia das sessões de tortura, mas não denunciou, um outro adolescente. Só escapa, o menino de seis anos.

É claro, tratava-se de um ritual. É possível que o tal marido engenheiro e os dois filhos adolescentes participassem com alguma reza braba, ou que se deleitassem lambendo o sangue da pobre vítima. E violência sexual? Disso ninguém tratou ainda. Mas não fica descartada a hipótese do sadismo da família Calabresi ter chegado ao estupro, penetração da menina com objetos pontiagudos, coisa desse tipo. Isso é comum, nesses rituais bestiais. Por conta da omissão, a delegada Adriana já adiantou: se o engenheiro-chefe não aparecer na delegacia, para dar explicações, terá a prisão preventiva decretada.

Querem ouvir a maldita empregada, enquanto a menina ainda geme? A tal Vanísia, empregada dos Calabresi, tinha uma função no ritual do senhor diabo. Ela amarrava a criança e a ungia com pimenta. Está bom assim? Pimenta, tempero picante.

Os policiais que invadiram o apartamento, encontraram a menina pendurada pelos braços, sem forças para reagir, com um olho roxo. A língua sangrava muito, devido a mais uma investida com um alicate. Tinha suportado mais uma sessão de tortura. Provavelmente, seus gritos tenham alertado os vizinhos, que chamaram a polícia.

Vivemos um clima de Páscoa... Lembram, do assassinato de Jesus? Aconteceu há mais de dois mil anos, mas ainda se ouve o eco do seu gemido, durante a tortura. Foi açoitado, amarrado, torturado, humilhado, cuspido, pregado e pendurado à cruz. E nada fez para merecer tal castigo, pois em 33 anos de vida, somente pregou a paz e o amor, com incomparável sabedoria. Nos convençamos: a menina Maria Vitória também nada fez para passar por um regime de tortura tão cruel.

 Sabem da causa mortis de Jesus? Não foram as chagas, as feridas que lhe dilaceraram a carne. Nem o desgosto com a raça humana o fez desistir da vida. Foi o fechamento do diafragma. Os romanos sabiam, que o corpo humano, pendurado por um longo tempo, pelos braços, sofreria com o fechamento do diafragma. O apoio, para os pés de Cristo, tinham um propósito – citam historiadores: prolongar seu sofrimento. Uma morte longa, angustiante.

 Acredito, a polícia invadiu a toca da tortura na hora exata. Maria Vitória estava pendurada pelos braços, torturada, sangrando, sem forças para reagir.

Mais tarde, já na delegacia, sangrando, sofrendo, gemendo, em nenhum momento a menina Maria Vitória reclamou de algo. Mais parecia um cordeiro imolado para a Páscoa, que se aproxima. Ela não exige nada em especial. Só desejava uma família, estudar e “crescer na vida”, disse, com dificuldade, devido aos ferimentos na língua.

Mas, não se sabe que futuro ela teria na casa da tal empresária. Quanto tempo de vida restava à pobre Maria Vitória? Os rituais seriam sempre iguais? Queimaduras com ferro de passar, beliscões com alicates comuns e de unha, murros no rosto delicado, espancamento. Ou, com o tempo, as sessões de tortura seriam mais requintadas, do tipo, extração de vísceras, amputação de órgãos.

O Conselho Tutelar, para onde a criança foi encaminhada, já que a adoção era irregular, ainda não é o lar à altura de Maria Vitória. Se condenada, a empresária Sílvia pode pegar algo em torno de vinte anos de prisão. Aposto que em 2010, 2011, não estará mais na cadeia. Afinal, aqui é o Brasil. Qualquer advogado esperto poderá alegar que Sílvia agia com agressividade, porque foi criada por mãe adotiva, que ela estava se vingando do que sofreu na vida. Coisas desse tipo, que comovem a Justiça, no país do direito humanitário e da impunidade.

Nem quero polemizar, com os membros das falanges dos fervorosos defensores do Senhor Todo Poderoso. Mas, mesmo assim, lanço essa pergunta, para provocar uma reflexão: Onde estavam os Anjos da Justiça Divina, durante as sessões de tortura de Maria Vitória? Estariam de folga? Dormindo, no paraíso? Ou também foram omissos? E não me venham com ladainhas, pois sou conhecedor da maioria delas. Principalmente porque nada pode explicar ou justificar a série de torturas a que essa indefesa criança foi submetida. Há que se revelar que, desde o ano passado, ela não freqüentava a escola: era a cobaia favorita de uma mente pervertida, capaz de dilacerar a carne e os sonhos de uma menina.

Para os diabos, com qualquer teoria.

 



O presidente da moto serra. E da coceira

A ministra do Meio Ambiente vem abrindo, ao mundo, as porteiras da Amazônia, para escancarar as feridas abertas na floresta, pelo desmatamento irracional. Marina Silva, ecologista de carteirinha, considerada, por muitos, uma radical do verde, vem denunciando o que chama de “processo irresponsável de destruição da floresta”, com base em dados do INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

Do outro lado da trincheira do bate-boca cinza-esverdeado, está o presidente Lula da Silva. Em suas andanças pelas ruas, o presidente, que nunca é visto no gabinete de trabalho, no Planalto, tenta, desesperadamente, minimizar a crise. Em sua falácia irresponsável, o que lhe é peculiar, o quase-sempre-sindicalista chegou ao absurdo estratosférico de comparar o desmatamento a “uma coceira”.

Comparação extremamente infeliz! Como se a derrubada de árvores, que precisaram de décadas, algumas mais de um século, para se desenvolver, fosse um fato a ser resolvido com a ponta dos dedos, num toque mágico e reconfortante. Há que se advertir, ao sr. presidente, sobre os riscos de uma coceira. Dependendo do lugar, o dedo pode terminar, digamos, com mau cheiro. Mas, nos comportemos, não sejamos dotados de futilidades ligadas às coceiras. Principalmente, porque, a maior floresta tropical do mundo, deve ser tratada como um santuário, que deve ser venerado, respeitado e preservado. Não se trata de uma relés coceira. São feridas, sim, na carne do verde.

O problema, para o governo, é mais grave do que se pode imaginar. Ocorre que Lula da Silva Castro-Chávez-Morales vinha, ostensivamente, alardeando sua posição de guardião, paladino da floresta. No ano passado, discursou, pomposamente, na ONU, arrazoado com números, que não se sabe onde ele foi buscar. Números milagrosos, que apontavam para uma considerável redução no nível de desmatamento no Brasil. Foi aplaudido, é claro, por gente de terno preto e gravata de grife, que bate palmas burocraticamente, e que só pensa no lucro fácil e na exploração de qualquer coisa, inclusive de povos.

Porém, imediatamente, a imprensa internacional reagiu, alertando para a degradação ambiental da Floresta Amazônica. Mas, o alerta não chegou a repercutir no Brasil, onde Lula da Silva é blindado contra tudo e todos. Mas, ao que tudo indica, a história está mudando: as páginas verdes do discurso presidencial estão adquirindo uma tonalidade acinzentada. O problema, é que, no caso do meio ambiente, a redoma de vidro se estilhaçou e expôs à Nação e ao mundo, não um intransigente defensor da floresta, mas um presidente relapso, que fala sem usar a razão, sem se utilizar de números confiáveis. Na verdade, hoje, a opinião pública internacional vê Lula da Silva não como um general-guardião da floresta, mas, sim, como o presidente da moto serra. Muito mais preocupado em tratar de coceiras. Até porque, os investimentos financeiros, financiamentos estatais, também incentivam e aceleram o desmatamento.

Após a constatação de que a blindagem, que desde o primeiro mandato protege o presidente de todos os escândalos, inclusive o mensalão, estrategistas do Palácio do Planalto saíram em socorro do estapafúrdio, escalafobético, Lula-lá. Tentam apagar um incêndio. Se esforçam para impedir que a nova imagem, de um presidente ligado à moto serra, se espalhe mundo a fora, principalmente nos países desenvolvidos. De tudo fazem, os guardiões do Planalto, para preservar a imagem de defensor do verde, que muito bem foi colada em Lula.

O discurso de protetor do verde não se transformou em realidade, porque, infelizmente, no Brasil, leis são criadas para a retórica de seus mandatários, que não investem, de fato, na preservação. E, de quem é a culpa, se leis não são cumpridas? Quem é o chefe da Nação? Não pode ficar dizendo que não sabia de nada. Há que se admitir que, sem fiscalização eficiente, de nada servem baús recheados de leis, decretos e normas.

Retirem, finalmente, a blindagem, e os brasileiros e o mundo verão que, em quase tudo em que se envolve, Lula da Silva age de maneira leviana, frívola e irresponsável. Assim, aconteceu ao tratar da questão Floresta Amazônica, principalmente quando discursou na ONU, com o peito inflado, soberbo, como o uirapuru, a excêntrica ave da mata. O presidente tentou, de forma oportunista, se utilizar de um certo terrorismo do aquecimento global, para conquistar dividendos eleitoreiros, na interminável caçada à cadeira de estadista. Não parou para pensar que não se pode empurrar para debaixo do tapete um problema tão imenso, em todos os sentidos, com sete mil quilômetros quadrados. O INPE denuncia: “A Amazônia perdeu cerca de sete mil km2 de floresta, entre agosto e dezembro de 2007”. A estatística dantesca se refere a um período curto, de apenas quatro meses. Justamente, nesse período de tempo, Lula da Silva discursou na ONU.

E agora, o presidente da moto serra reaparece num cenário hostil, vestindo cinza, com os olhos em chamas, para, inescrupulosamente, comparar o “desmatamento irresponsável”, a destruição da mata, a uma simples coceira. Sr. presidente, desmatamento irresponsável, são palavras de sua amiga, a ministra Marina Silva.


 

Amazônia perdeu cerca de 7.000 km2
de floresta, de agosto a dezembro de 2007


Estimativa baseada no Sistema DETER – Detecção do Desmatamento em Tempo Real, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), aponta que o desmatamento na Amazônia pode ter atingido 7.000 km2, no período de agosto a dezembro de 2007. A maior parte dos desmatamentos se concentra nos estados de Mato Grosso (53,7%), Pará (17,8%) e Rondônia (16%).

“Os novos desmatamentos detectados pelo DETER entre agosto e dezembro de 2007 somaram 3.235 km2. Nos anos recentes, a área mapeada pelo DETER representou entre 40% a 60% do que é registrado pelo PRODES, nosso sistema que faz o cálculo anual detalhado da área desmatada. Deste modo, o INPE considera que entre agosto e dezembro de 2007 o desmatamento é da ordem de 7 000 km2, com uma variação para mais ou para menos de 1.400 km2”, explica Dalton de Morrison Valeriano, coordenador do Programa Amazônia do INPE, que opera os sistemas PRODES e DETER.

Este trabalho complementa o levantamento anual detalhado, feito pelo sistema PRODES do INPE, que usa imagens de satélites com resolução espacial entre 20 a 30 m (satélites LANDSAT e CBERS). O levantamento do PRODES é feito em escala anual com área mínima de mapeamento de 6,25 hectares, para o período de agosto de um ano a julho do ano seguinte. O levantamento do PRODES, para o período entre primeiro de agosto de 2006 a 31 de julho de 2007, foi concluído em novembro de 2007, e apontou um desmatamento de 11.224 km2, com uma margem de erro de 4%.

O DETER é um levantamento rápido feito mensalmente pelo INPE, com dados de resolução espacial de 250 m. Com este sistema, é possível detectar apenas os desmatamentos cuja área seja maior que 25 hectares.  Devido à cobertura de nuvens nas imagens do período, nem todos os desmatamentos maiores que 25 hectares são identificados pelo DETER.


Confira a tabela com a área por Estados de desmatamento
detectada pelo DETER no período de agosto a dezembro de 2007 (em km2)


Fonte: INPE

 

Editorial

A imprensa, o socorro nosso de cada dia

Recente pesquisa da Edelman Brasil, indica que quase 64 por cento dos brasileiros confiam na mídia. Isso decorre do fato de que o Estado/Nação, os governantes, a classe política, abandonaram o cidadão. Pessoas mais humildes recorrem, diariamente, em todo o país (e, aqui, não é diferente), a programas de televisão, de emissoras de rádio, jornais, em busca de socorro para problemas de saúde, saneamento básico, violência urbana, transportes, entre outros. Saúde (made in falida CPMF) e segurança (no reinado do crime organizado) são os temas que mais pautam as atividades dos programas e jornais populares. Isso porque, é mais fácil confiar num jornalista, do que num político: Essa é a leitura que se faz dos números.

Na opinião do coordenador da pesquisa no Brasil (pois a instituição pesquisou o mesmo tema em outros países), “o brasileiro está se tornando um cidadão mais crítico e exigente”. Menos mal. Chega de povinho que se mata por pão e circo, embora a imprensa tenha registrado, nos últimos dias, cenas lamentáveis de baianos, criando a maior confusão, em meio a sangue, suor e cerveja, para conseguir ingressos para o Carnaval. Pelo mesmo motivo, aqui, em Florianópolis, gente da classe média alta acampou, durante dias, em volta do sambódromo Nego Quirido. Tudo pelo pão e circo. Muito mais pelo circo.

Disse, mais ainda, o coordenador da pesquisa, também presidente da Edelman Brasil, Ronald Mincheff: “O brasileiro está cobrando mais do governo, está cobrando mais de empresas, está cobrando envolvimento social e responsabilidade social. O Brasil está amadurecendo e o brasileiro está amadurecendo”. Mas a classe política... Quanta diferença!

Como o cidadão cobra e o governo não dá uma resposta à altura da reivindicação, esse canaliza suas esperanças para outro setor, mais atuante: a mídia, a imprensa, seria a palavra mais exata. Tanto é que, em outros países, como Suécia, Holanda, Bélgica, onde o poder público está mais presente, os governos tiveram notas bem maiores. No Brasil, para alguns analistas, a fragilidade do governo pode estar dando, à imprensa, uma importância cada vez maior.

Voltemos aos números. Em primeiro lugar, bem lá no alto do pedestal da confiabilidade, os pesquisados colocaram a mídia, a imprensa. O que aumenta, em muito, nossa responsabilidade, como jornalistas. Precisamos ser os porta-vozes dos brasileiros, abandonados pelos governantes e políticos. Isso é um fato irreversível. Devemos sim, assumir essa atitude. Mas, da mesma forma, não podemos agir como os políticos, buscando um populismo barato e perigoso, como vem acontecendo com programas de televisão, inclusive alguns gerados a partir de Florianópolis para todo o estado. Programas que usam o povo em benefício de seus apresentadores, na caçada implacável de números positivos no Ibope. São os propagadores da desgraça, eles, que babam sangue, arrotam arrogância, e assim, como os políticos, também estão enriquecendo, graças ao infortúnio de milhares. Números altos no Ibope, significam mais publicidade no horário, que se traduzem por melhores salários aos afortunados da telinha.

Em segundo lugar, na pesquisa, aparecem as empresas brasileiras, com 61 por cento, seguidas pelas Ongs, com 51 por dento. A mesma pesquisa revelou que a confiança do povo no Governo Federal caiu de 54 por cento, em 2004, para magros 22 por cento, no final de 2007. Pelos mesmos motivos. A autoridade constituída está voltando as costas ao cidadão, está negando seus direitos elementares de acesso à segurança, à saúde, só para citar duas grandes lacunas, crateras sociais que crescem espantosamente no governo populista de Lula da Silva Castro-Chávez-Morales.


Principalmente, nesses dois serviços essenciais à população, há muito discurso, muita bravata e pouca ação. O resultado da pesquisa, para a turma da república do mensalão, só não é mais desastroso, se comparado com a Polônia, onde o governo recebeu míseros 11 pontos.

Com toda certeza, essa pesquisa, da Edelman Brasil, não foi realizada entre a clientela do bolsa-voto. Pois, sempre que são convocados a opinar sobre o desempenho do governo, os enclausurados do porão da ignorância e da miséria que, por comodismo, se conformam com migalhas e não buscam horizontes mais amplos, esses clientes dos favores oficiais, elevam o “cumpanheiro” populista, que condena “azelite”, à estratosfera da popularidade. Esse bolsa-voto, convenhamos, faz muito sucesso. E dá voto, pode acreditar que dá.



A lombada eletrônica está “apagada”, há mais de seis meses, permitindo o excesso de velocidade
Foto: Baby Espíndola

Desativada e sem-vergonha

A desativação da lombada eletrônica, na rodovia BR-282, bairro Alto Aririú, divisa de Palhoça e Santo Amaro da Imperatriz, na Grande Florianópolis, está causando apreensão entre moradores. Temendo a repetição de fatos lamentáveis, acidentes, inclusive com morte, como já ocorreu, os munícipes se mobilizaram e realizaram um abaixo-assinado, com mais de cem assinaturas, para ser entregue ao Dnit, com cópia ao prefeito Ronério Heiderscheidt. O equipamento, de responsabilidade do Governo Federal, está desativado há mais de seis meses. No trecho, circulam mais de 30 mil veículos por dia. Recentemente, a lombada voltou a piscar, contudo, sem controle de velocidade. Só pisca, bem sem-vergonha.

 

Tromba d’água sobre a Casan

A Casan está acumulando a segunda derrota, para a Prefeitura de Palhoça, em poucos meses. Primeiro, o prefeito Ronério Heiderscheidt não renovou o contrato com a estatal, optando pela municipalização dos serviços, com os quais a população parece satisfeita, visto que não temos reclamações. E, agora, despenca outra “tromba d’água” sobre a Casan. Segundo a Assessoria de Imprensa da Prefeitura, “a Casan tem um prazo de 30 dias para cumprir a sentença judicial da ação cautelar, requerida pela Prefeitura Municipal de Palhoça, que determinou o valor de 0,34 centavos por metro cúbico da água tratada, produzida pela Estação de Tratamento de Água – Eta -, localizada em Palhoça”. Assim, inverteram-se os papéis. O município, que comprava água da Casan, agora está atrás do balcão de negócios, e até estipula os valores que a empresa deve pagar. A sentença foi proferida, em 23 de janeiro, pelo juiz José Maurício Lisboa, da Segunda Vara de Palhoça.

 

Pressão energética

E a luta continua. Agora, com a Celesc. Depois que o Sul de Palhoça, a região das praias, ficou sem energia elétrica, por quase oito horas, no Reveillon, o prefeito Ronério Heiderscheidt transformou a Celesc em novo alvo de sua metralhadora da municipalização. Horas depois do apagão, anunciou a intenção de romper com a estatal elétrica. Mas a Celesc agiu rápido. Numa manobra, que pode ser tratada como operação abafa, convocou uma reunião de emergência e prometeu, ao prefeito, investimentos da ordem de R$ 28 milhões, 500 mil, em três subestações, a serem construídas, duas na Baixada do Maciambú, e a terceira na divisa com São José.

Como já conhece a novela Casan, que prometeu investimentos que nunca saíram do papel, e temendo uma reprise via Celesc, Ronério acelerou o passo. Em visita de cortesia ao engenheiro Gilberto dos Passos Aguiar, que assumiu a Gerência da Celesc para a Região Metropolitana, o prefeito de Palhoça fez questão deixar claro a sua “preocupação com a questão energética no município”. E solicitou urgência no inicio das obras prometidas. Depois de muito cafezinho, temperado com boas intenções, Passos Aguiar passou a elencar as prioridades e prometeu atender as reivindicações.

EM TEMPO – Os empresários e consumidores em geral, da Região Sul, já estão armazenando velas, para evitar uma possível escuridão, durante o Carnaval.

 

Restaurante Popular

Versão Pachecos. É a sugestão, que o presidente da Câmara de Palhoça, Nirdo Artur Luz (Pitanta), encaminhará ao prefeito Ronério, nos próximos dias. Idealizador do protótipo, lançado, em 17 de maio de 2007, no bairro Barra do Aririú, onde cerca de 400 pessoas almoçam, diariamente, ao preço de um real, Pitanta considera viável abrir uma unidade do Restaurante Popular, no bairro Pachecos. Tomou essa decisão, depois que constatou que, diariamente, aproximadamente 100 pessoas carentes de Pachecos se deslocam até a Barra do Aririú, de bicicleta, até andando, para se alimentar “com um mínimo de dignidade”.

 

Fim da poeira

O vereador Adelino “Keka” Machado avisa, através da coluna, que as obras de pavimentação das ruas Januário Pereira de Lima e Natalina Shalma da Silva, no bairro Pachecos, estão em fase inicial. A poeira, na Rua Januário, é um suplício aos moradores, cujas casas estão rachadas, em virtude do trânsito pesado. Ela é usada como alternativa para caminhões e carretas, quando acontece acidente na BR-101.

 

A gastança, na república do mensalão

Falta dinheiro para a saúde, para segurança, para investir em transportes. Mas, não falta dinheirama para a gastança na república do mensalão. Muita atenção: nos últimos quatro anos, o Governo Lula da Silva Castro-Chávez-Morales, gastou, em média, R$ 1,2 milhão por dia (isso mesmo, um milhão, 200 mil reais, a cada dia), com diárias, para financiar hotéis, alimentação e deslocamento urbano de seus funcionários e autoridades. O valor não inclui passagens aéreas, revela o Portal da Transparência, site oficial do próprio governo. Passagens aéreas e despesas com o Aerolula entram em outra conta.


Pega-rapaz

Aquela “carreta”, carregada de alto-falantes e cornetas, mais parecendo uma penteadeira de puta, que os adolescentes, os garotos sarados e outros marmanjos de mau gosto usam para infernizar a vida dos vizinhos, com som alto, já tem nome. Acabo de batizá-la de “pega-rapaz”. Trata-se de uma armadilha, que os infelizes do barulho montam para atrair homens. Porque as mulheres, essas mais delicadas e educadas, nem chegam perto das carretas de som, principalmente quando se trata de pancadão. E os coitados barulhentos, sempre terminam as noites em “casais”, homem com homem. São os praticantes do sexo em marcha à ré.


 

Editorial


As incríveis semelhanças entre Hugo Chávez e Idi Amin Dada

14 / 01 / 08

 

          Hugo Chávez cruzou a fronteira da racionalidade, para vagar pelos campos minados da insensatez. Na mais recente aparição circense, em cadeia de rádio e tv, o venezuelano fez uma contundente defesa dos narco-guerrilheiros das Farc. Uma patética declaração, pois ninguém, dotado de um mínimo de dignidade, poderá defender seqüestradores: Só Hugo Chávez, que age como se fosse o maior comunicador e artista da Venezuela, onde fecha estações de tv, que não se curvam a sua surrada ditadura bolivariana. Na verdade, mais aparece na tv estatal e fala no rádio do que governa.

          Merece citação, o fato de que o falastrão Hugo Chávez não deveria se manifestar sobre assuntos internos da Colômbia. Precisa ser mais prudente e diplomático, principalmente porque já se envolveu em um “arranca-rabo”, com o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, bem mais sensato que o venezuelano.

          Está mais que provado que Chávez não aprendeu nada com o famoso “Cala-te!”, pronunciado, secamente, em público, pelo Rei Juan Carlos, da Espanha.

          Na visão caótica, perigosamente caótica de Hugo Chávez, os membros das Farc não são guerrilheiros. São “cumpanheiros”. Vale lembrar, que eles quase foram reconhecidos como membros de uma “autoridade”, algo parecido à “Autoridade Palestina”, no primeiro período do governo Lula, outro “cumpanheiro” de Chávez.

          No seu modo intencionalmente confuso de ver os fatos, Chávez não os considera terroristas. São apenas “cumpanheiros” seqüestradores. Os bandidos das Farc, que costumam financiar campanhas de esquerda na América Latina, seqüestram vítimas inocentes e as mantém em cativeiro durante décadas. Então aparece o mocinho Hugo Chávez, montado num cavalo branco da cor da cocaína, para libertá-las, como aconteceu recentemente. Tudo pela paz. Quanta hipocrisia! Até porque, horas após a estapafúrdia declaração de Chávez, os “cumpanheiros” das Farc seqüestraram mais seis pessoas. Repito: tudo pela paz.

          E, agora, esse tiranossauro vem a público falar de criminosos, narco-guerrilheiros, como "forças insurgentes que têm um projeto bolivariano, que aqui é respeitado”. Aqui, onde? Só se é na cozinha de Chávez. Homens e mulheres honestos, em todo o mundo, não respeitam seqüestradores e traficantes. Deveriam ser todos presos ou mortos, em caso de reação.

          De acordo com o princípio de que “os semelhantes se atraem”, que conclusões podemos tirar dessa declaração espetaculosa de Chávez e de tudo que vem ocorrendo na América Latina? A pior possível.

          Hugo Chávez (Castro-da Silva-Morales) nos faz lembrar de Idi Amin Dada, um excêntrico ditador, que governou Uganda, nos anos 70. Fazia várias declarações sobre um mesmo tema, em intervalo de horas, todas com pontos de vista diferentes. Se oferecia para mediar seqüestros (caso de Entebe). Comprava medalhas em antiquários, para pendurá-las, espalhafatosamente, no uniforme militar. Queria ser um estadista, mas nunca passou de um relés ditador sanguinário; sorridente, mas perigoso, imprevisível.

          Uma superficial pesquisa, nos traz, do baú da história, informações sobre Idi Amin Dada Oumee. Nascido em Koboko ou Kampala, na década de 1920, falecido em Jidá, em 16 de Agosto de 2003), foi um militar e ditador de Uganda de 1971 a 1979. Da etnia kakwa, sua ditadura foi caracterizada por genocídios e requintes de crueldade utilizados nas execuções. Daí as alcunhas de "o talhante (açougueiro) de Kampala" e "senhor do horror", atribuídas a ele pelo povo ugandense. Segundo a enciclopédia Wikipédia, Idi Amin assumiu o governo de Uganda, quando era comandante-chefe das Forças Armadas, destituindo o antigo governo civil. Era defensor de Adolf Hitler e favorável à extinção do Estado de Israel. O seu reinado terminou em 1979, quando as tropas da Tanzânia, que nunca reconheceram o seu governo, o destituíram com o apoio dos ugandenses.

          As semelhanças (inclusive a física, com exceção da cor da pele – um meio índio, o outro extremamente negro), entre Hugo Chávez e Idi Amin Dada são incríveis. Um pavão, perto de ambos, recolheria a cauda, por singela timidez.

          E, para colocar um ponto final nesse assunto, pois que temos coisas muito mais interessantes a tratar, é bom que se diga: Quem gosta de chaves é chaveiro.



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Lobos predadores do dinheiro público atacam no Brasil

          Tarefa difícil, essa do Ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, de indicar um suplente à sua cadeira no Senado da república do mensalão. O primeiro suplente, Lobinho (Edson Lobão Filho), vai se licenciar para responder às acusações de uso de laranjas, em negociações suspeitas, que são investigadas pela justiça. Quase chegou ao Senado, arrastando correntes nos pés.

          E o segundo suplente, Remi Ribeiro (PMDB-MA), que até já mandou talhar o terno da posse, também sobe as escadas da mais importante Casa da República, com fantasmas do passado arranhando sua imagem pública. Ribeiro, que é presidente em exercício do PMDB no Maranhão, foi denunciado pelo Ministério Público, depois de ser indiciado pela Polícia Federal, por crime de responsabilidade e peculato.

Segundo o jornal O Estado de São Paulo, ele é um dos alvos de uma acusação de apropriação indébita de recursos públicos na Prefeitura de São Bento (MA), onde foi tesoureiro. A denúncia mostra que entre 1989 e 1992 teriam ocorrido desvio de dinheiro e fraudes em licitações na prefeitura. O inquérito concluído em 2005 apontou dez pessoas como beneficiárias do esquema, entre elas, Ribeiro.


Ladrões do dinheiro público

Que leitura se faz desses fatos? Temos um Lobinho, na pele de cordeiro, que já foi devidamente afugentado das portas do Senado. Cães de pastoreio entraram em ação. E agora o Brasil precisa acender uma imensa fogueira, para escorraçar o outro predador do dinheiro público, o lobo Ribeiro.

Em tempo: o governo federal deveria mandar construir um imenso presídio, algo maior que o Maracanã, para abrigar os corruptos de Brasília, inclusive alguns palacianos. E que a justiça passe a punir esses ladrões do dinheiro público.


Lobão e Lobinho

Lobão assumiu o Ministério de Minas e Energia, sob apadrinhamento do dono do poder, senador José Sarney. Sarney manda fazer, Lula da Silva, o subalterno, executa sem piscar. Vale lembrar, que num passado, nem tão distante, os petistas perseguiam o então presidente Sarney, a quem chamavam de ‘ladrão e corrupto’.

Um grupo liderado pela ministra Chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, queria um ministro com perfil técnico. Ela e seus aliados estavam certos. Afinal, podemos estar à beira de um abismo energético. E Lobão nada entende do assunto, aliás, nunca administrou nada, nem a educação do filho Lobinho. Se tivesse educação, não estaria agora envolvido em denúncias de corrupção e sonegação de impostos.

Seu Lobão precisa saber, com urgência: Está acontecendo o que não poderia acontecer: o Brasil depende das chuvas para garantir o suprimento de energia. O que revela falta de planejamento. Se não chover... Surgirão, no horizonte, problemas de abastecimento, apagão. Não é história da vovozinha, não.


Apagão, é boato”

Mas, tudo bem. Afinal, Lula da Silva já decretou: “Apagão de energia é boato”. Se o imperador falou, assunto resolvido. Mas, se o apagão acontecer (é bom bater na madeira três vezes), ele assumirá o papel de vítima. Vai dizer que não sabia de nada, sua fala favorita. O mais incrível, é que, no ano passado, o senador Edson Lobão discursou, no Senado, duas vezes sobre o racionamento de energia. Em abril e depois em julho. Parecia um vidente, um predestinado a prever o que poderá acontecer no futuro. Nas duas falas, alertou sobre “o risco muito alto de apagão”. Depois, à medida que se aproximava da Esplanada dos Ministérios, foi mudando gradativamente de opinião. Até se desmentir, ao assumir o ministério. Agora, aos pés de São Pedro, invoca forças dos céus, para exorcizar o fantasma do apagão. Vai precisar de muita reza braba, vela e galinha preta. Talvez, a dança da chuva, dos índios, resolva.


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Machão” no trânsito

Quando um jovem rapaz passar por você, com o carrão em alta velocidade, ele todo agitado, buzinando, dando luz alta intermitentemente, exibindo aquele dedo às nuvens, para depois seguir, costurando no trânsito, em zigue-zague, você deve perdoá-lo. Pode ser um jovem que rompeu com o namorado e o seu novo amor, é um homem impaciente. Por isso a correria. É para chegar no local do encontro, no horário marcado. Ele corre, assim, porque tem medo de irritar o namorado. Entendeu?


Pirataria

Por e-mail, leitor confessa que tem “algo em comum” com o presidente Lula da Silva. É aposentado, gosta muito, muito, de viajar, e assistiu “Os Filhos de Francisco”, num DVD pirata. Meu amigo leitor, vão aqui alguns conselhos: curta a aposentadoria, se ela é merecida (a supressão de um dedo não é motivo para se aposentar); Só viaje se for com o seu próprio dinheiro (jamais às custas dos cofres públicos); E deixe a pirataria para a turma de Brasília.


Pega-rapaz

Aquela “carreta”, carregada de alto-falantes e cornetas, mais parecendo uma penteadeira de puta, que os adolescentes, os garotos sarados e outros marmanjos de mau gosto usam para infernizar a vida dos vizinhos, com som alto, já tem nome. Acabo de batizá-la de “pega-rapaz”. Trata-se de uma armadilha, que os infelizes do barulho montam para atrair homens. Porque as mulheres, essas mais delicadas e educadas, nem chegam perto das carretas de som, principalmente quando de trata de pancadão. E os coitados barulhentos, sempre terminam as noites em “casais”, homem com homem.


Pior aeroporto do mundo

Recente pesquisa deixou a turma da Infraero irritada. O Aeroporto Internacional de Brasília apareceu como sendo o pior do mundo. A pontualidade dos vôos não ultrapassa o índice de 27 por cento, o que é muito pouco.


Lula sobre as Farc

Finalmente, o presidente Lula da Silva (Castro-Chávez-Morales) fez uma declaração sensata, no que se refere ao panorama político da América Latina. Horas depois de ressaltar o excelente estado de saúde do ditador de Cuba, Fidel Castro, que está afastado do poder há mais de um ano, nosso presidente-viajante foi mais realista, ao condenar as ações das Farc. Lula da Silva, finalmente admitiu, publicamente, que as ações dos narco-guerrilheiros da Colômbia, são condenáveis, sob todos os aspectos. “Seqüestrar pessoas inocentes, é abominável”, disse o presidente. Disse e acertou. Mas, errou feio sobre a saúde de Castro. Pelas palavras do brasileiro, até parece que o cubano, de 81 anos, está preparado para as Olimpíadas de Pequim. Mas, na verdade, o ditador está mais pálido e amarelo que palha de milho.


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Do direito humanitário às benesses da justiça
10/01/08

          Os brasileiros costumam dizer que a justiça no país “não funciona”. De certo modo, eles têm razão. Senão, vejamos. Um dos presos, no assalto a um supermercado, em Itajaí (leia matéria, neste site), é condenado a mais de 100 anos de prisão. Nicolau Werenicz, 59 anos, autor de roubos milionários, no Sul do país, desde a década de 1970, foi beneficiado com a saída temporária, e nunca mais se apresentou à justiça do Rio Grande do Sul. Era considerado foragido.

No estado de Santa Catarina, os juízes também costumam ser muito caridosos, na prática daquilo que se denomina de direito humanitário. Os senhores e senhoras da capa preta, liberaram um considerável número de sentenciados, para festarem, nas ruas, durante o Natal e o Reveillon. Até o dia 4 de janeiro, data prevista para o retorno, 250 bandidos, alguns acusados por estupro, homicídio, roubo, assalto, não tinham retornado à Penitenciária de Florianópolis e à Colônia Agrícola de Palhoça. O que os transforma em foragidos.


          Questionemos! Não nos calemos! Cobremos uma postura mais apropriada da justiça. Como pode, um criminoso violento, perigoso, como esse tal Nicolau Werenicz, condenado a cumprir mais de 100 anos de cadeia, ser liberado para passar sete dias com a família. Ele passou sete dias, sim, com as famílias das novas vítimas, assaltando, roubando, ameaçando matar. Criminoso como Nicolau e esses que foram gentilmente liberados para as festas, na Grande Florianópolis, deveriam cumpri integralmente as sentenças. No caso de Nicolau, 100 anos são 100 anos. Nem um dia a menos.


          Desde as décadas de 1970 e 1980, muito escrevi sobre os crimes praticados pelo bandido Nicolau. Um bom homem, segundo o juiz que o libertou. Um bandido violento, segundo os policiais. “Eu mato para não deixar provas", é a frase favorita de Nicolau. No assalto a um supermercado, em Itajaí, dois bandidos, parceiros de Nicolau, morreram, no intenso tiroteio com policiais. Felizmente, morreram.


          Quando a imprensa, legítima representante da sociedade civil, questiona essas benesses da justiça, aqueles que representam o Poder Judiciário, instituição que deveria ser bem mais rigorosa no combate à criminalidade, alegam, simplesmente, que estão cumprindo a lei. “A lei que protege os bandidos”, diz a voz do povo. Liberam bandidos perigosos, em cumprimento à lei. Temos que admitir, são forçados a cumprir a legislação, mesmo sendo ela de procedência duvidosa. Mas, certamente, se as vítimas de estupro, latrocínio, homicídio, assalto, roubo, fossem sistematicamente familiares de membros do Judiciário, é óbvio que a justiça não liberaria bandidos com tamanha facilidade. Mesmo sendo cega. Estudos mais aprofundados, com base na psicologia forense, seriam realizados em cada um dos condenados, com direito às regalias da liberdade. Que, com certeza, não seriam concedidas.


          E por que afirmamos que são leis de procedência duvidosa? Porque seus autores, membros do Congresso Nacional, Câmara e Senado, muitos deles, transformaram a instituição que representam em esconderijo da justiça, beneficiados que são pelo estatuto da impunidade, na forma de imunidade parlamentar e foro privilegiado. Por isso, a legislação que produzem, principalmente a penal, quando já não caducou, acaba beneficiando os autores de crimes e prejudicando as vítimas. Até porque, convenhamos, não se pode esperar leis rigorosas daqueles que se envolvem em crimes de corrupção – como o mensalão. Tais leis, de procedência duvidosa, acabam por beneficiar bandidos de colarinho fino e importado e também os criminosos do tênis sujo.


          Tratemos, também, do direito humanitário. Uma versão caipira do Direito, que, invariavelmente, costuma privilegiar os bandidos, a começar pelo consagrado “em caso de dúvida, pró réu”. Qualquer advogado de porta de cadeia está devidamente preparado para proporcionar dúvidas em delegacias e tribunais, fabricando álibis que nem sempre são investigados devidamente. Advogados e muitos juízes, defensores dessa vertente humanitária, se debruçam sobre processos, inicialmente vasculhando em busca de alguma falha de instrução, de alguma prova mais frágil, para devolver o criminoso às ruas, onde ele volta a cometer os mesmos tipos de crimes.


          Há que se mencionar, ainda, a ardorosa ação de grupos de direitos humanos, sempre muito empenhados em socorrer e agradar bandidos e seus familiares, mas que jamais estendem uma mão, jamais dedicam um gesto de carinho para as vítimas ou seus parentes enlutados. O direito humanitário se mistura com teses de um socialismo caótico e deságua na política clientelista do governo da república do mensalão. Como se vê, todos unidos formam um grupo poderoso, que trai e penaliza o cidadão honesto. Favores e teses humanitárias protegem delinqüentes que, em se tratando de robustos menores, são chamados de “meninos – Não se pode penalizar esses meninos” – disse, não faz muito tempo, o presidente Lula da Silva, dias após um grupo de adolescentes ter arrastado, com um carro roubado, um garoto até a morte, no Rio de Janeiro.


          Benesses da justiça, liberdade sem critérios para a bandidagem, impunidade para os corruptos, teses do direito humanitário, estão elevando a criminalidade a números alarmantes. E os brasileiros, que pagam uma das maiores cargas tributárias do mundo, não tem direito aos elementares quesitos de segurança pública.


          Quem pode, paga a segurança privada, cuja significativa renda, verdadeiras fortunas, vai cair, quase sempre, nas mãos dos próprios políticos. Quando donos das empresas de segurança e fábricas de produtos eletrônicos, os políticos são os beneficiários diretos da desgraça do povo. Se não são os proprietários, acabam se beneficiando, indiretamente, com o financiamento de campanha, caixa dois. Assim, para alguns políticos, o crime é conveniente. Com o crime correndo solto, alguns políticos safados estão ganhando muito dinheiro.

 

 

 

Editorial

O INFERNO ANTECIPADO NO ASFALTO

22 / 12 / 2007


          Querem conhecer o inferno? Até parece uma proposta bruxólica, em época de Natal. Na verdade, o inferno, é o trânsito da Grande Florianópolis. Vejamos alguns números. Na temporada de verão passada (2006/2007), Florianópolis recebeu um milhão, 800 mil turistas, que se espalharam também pelos municípios vizinhos. Os dados são da Secretaria de Turismo de Florianópolis (Setur).


          Para a temporada que se inicia, há quem aposte no estratosférico numero de aproximadamente três milhões de turistas. Isso é praticamente o triplo da população regular da Grande Florianópolis. E aí vale levantar um questionamento. O espaço nas calçadas das cidades, as vagas de estacionamento, as ruas, avenidas e estradas aumentaram na mesma proporção? Não. Poucas e tímidas são as obras. Nenhuma estrada interliga municípios circunvizinhos.


          Outro dado relevante precisa ser mencionado: por razões que, a seguir serão detalhadas, esses cerca de três milhões de turistas, ávidos em conhecer tudo, em andar, viajar, fotografar, dançar, beber, comer, transar, vão provocar um tumulto no trânsito. O inferno antecipado no asfalto. Isso porque, segundo estatísticas, 65 por cento deles virão a bordo de seus carrinhos, carros e carrões. Matematicamente (considerando-se duas pessoas por carro), serão algo em torno de 1.500 novos veículos circulando pelas nossas modestas ruas e estradas, muitas delas em obras de recuperação, justamente no verão – o inferno do trânsito precisa de asfalto quente, calor insuportável, homens e máquinas fervendo, durante as operações. Tudo isso para justificar a tão celebrada placa, de outros tempos: “Estamos trabajando para su confort”. E que venham os hermanos! Inclusive os “cumpanheiros” de Lula da Silva, trazendo na bagagem as armas da Venezuela e a cocaína da Bolívia.

          Falta, ainda, explicitar o porquê da invasão de carros de turistas. Primeiro por egoísmo. O brasileiro usa o carro como status, marca de poder, arma para extravasar a violência reprimida, objeto de conquista, sedução, machismo, etc. Mas, principalmente, porque eles sabem que o transporte coletivo é deficitário, obsoleto. Não temos metrô, não temos trem e o sistema de transporte dito integrado, sobre borracha, não é de fato integrado, é tão-somente concentrador. E gastador, pois cada vez que o usuário entra num ônibus está pagando. Diferentemente dos sistemas de Curitiba, Joinville, Criciúma, só para citar alguns exemplos. Assim sendo, nossos visitantes, preferem rodar com seus veículos. Até porque, com o iminente caos aéreo que deverá se repetir, as esburacadas e intransitáveis estradas ainda são a alternativa para se viajar Brasil a fora. Eta mundão!

          Não esqueçamos, ainda, da frota regional, algo em torno de 500 mil veículos – e aumentando todos os dias. Por tudo isso, lógico se faz conclamar as autoridades, para que passem a pensar, a agir coletivamente. Que planejem e executem obras para a Região Metropolitana, envolvendo recursos do Governo do Estado, via Secretaria Regional de Desenvolvimento da Grande Florianópolis, prefeituras da Capital, São José, Palhoça, Biguaçu. Porque, até agora, cada cidade fez e faz sua obra, sua estrada, até a divisa do município vizinho. Algo do tipo liga o nada a lugar nenhum.

          E fica o alerta: tragédias anunciadas já estão acontecendo. Outras, infelizmente acontecerão. Estatísticas de sangue e ferro retorcido serão computadas. Faz parte, dirão alguns. Autoridades do setor prevêem uma carnificina nas rodovias federais e estaduais de Santa Catarina. Os dados apontam para uma média de 3,8 mortes por dia. Quase quatro vidas. E os responsáveis pelo sistema viário à beira do apagão, nada fazem. Isso é que é guerra não declarada!

Outro detalhe importante: São José está no epicentro do problema trânsito. O município – atorado ao meio pela BR-101 duplicada, que abriga também a Via Expressa (BR-282), que precisa ser quadruplicada –, é a trilha para Florianópolis. Via terrestre, praticamente ninguém entra ou sai da Capital, sem cruzar São José.


          E, para quase encerrar essa argumentação: Qualquer pessoa lúcida e racional sabe que essa invasão de turistas interessa a um grupo muito pequeno de pessoas, senhores e senhoras que lucram com suas atividades específicas, em detrimento de uma grande maioria. Porque pagam em dólares ou euros e também tem muitos reais para gastar, e porque os exploradores de turistas são gananciosos demais, os preços regionais sobem. Surge o efeito inflação-turismo, que inibe qualquer iniciativa de férias para os nativos. Escorraçados pelos invasores, desestimulados pelos preços elevados, estes recorrem a alternativas mais modestas e tímidas.

Então, não está na hora de revermos nossos conceitos sobre turismo? Não está mais que na hora de estudarmos a questão custo-benefício. Quem ganha, quem perde com essa invasão? – questionem.


          E a proposta do presidente da Casan, Valmor de Lucca, porque não ganhou corpo? O responsável pelo abastecimento de água em Florianópolis e São José, principalmente, sugere restrições à chamada indústria do turismo, como já ocorre em outros países, onde critérios foram impostos. É de se perguntar: vai faltar água? E a hipótese de apagão energético, está descartada? A direção da Celesc está preocupada. Tanto é, que já contratou 40 funcionários, para garantir o abastecimento de energia em Florianópolis, Palhoça e São José, cidades-alvo da invasão de turistas.

(Editorial publicado no jornal Primeira Folha)


 

 

TRANSA DE COELHO

 

          O semáforo da Rua Gerôncio Thives, próximo ao Shopping Itaguaçu – aquele, da polêmica sobre multas em excesso, caso que foi parar no Ministério Público, que também provou debates entre vereadores de São José, além de muitos recursos à Justiça –, agora e motivo de piada. Está sendo chamado de “transa de coelho”. Porque quando abre já está fechando. O sinal mal fica verde e já avermelha. Como no mundo animal, é uma pegadinha. O motorista acelera para cruzar a esquina e cai na malha fina do sensor eletrônico. É de multa em multa que o sistema enche o papo, diz o velho ditado.



MOACYR FRANCO E PREFEITO RONÉRIO

EM: JECA GAY NA CIDADE DE PALHOÇA

 

          O show do cantor, compositor e humorista, Moacyr Franco, na noite de 19 de dezembro, atraiu uma multidão para a Praça 7 de Setembro, centro histórico de Palhoça. No repertório, músicas antigas e românticas, outras do estilo brega, com o humor apimentado, que caracteriza os personagens que Moacyr Franco interpreta no programa “A praça é nossa”, do SBT.

          Num determinado momento do show, o prefeito Ronério Heiderscheidt foi convidado para o palco, para fazer dupla com o cantor, na interpretação do personagem “Jeca Gay”. E, não demorou muito, o irreverente Moacyr colocou a peruca do Jeca Gay no prefeito Ronério. O show de Moacyr Franco e o desfile de carros alegóricos, decorados com motivos natalinos, encerraram o Natal Reluz de Palhoça, idealizado pela Secretaria da Assistência Social.

Moacyr Franco, cercado por uma multidão, entre a Praça 7 e o palco.

O prefeito Ronério Heiderscheidt com a peruca do “Jeca Gay”

Fotos: Baby Espíndola

 

 

 

 

UMA FESTA COM TRÊS PAPAIS-NOEL. COISA DO SÃO TOMÉ

Vereador Pitanta (o terceiro na foto) recepciona o Papai-Noel que chegou de helicóptero

Foto: Baby Espíndola

          Uma das maiores festas do Natal 2007, aconteceu no Conselho Comunitário São Tomé, na Barra do Aririú. Todos os números superaram as expectativas. Os organizadores do evento, “1º. Natal mais feliz”, o Conselho Comunitário e o vereador Pitanta (Nirdo Artur Luz) prometeram dois Papais-Noel – apareceram três. Dois despencaram do céu, um de helicóptero, outro de pára-quedas, e um terceiro apareceu de carro. Esperava-se 2.000 pessoas e compareceram mais de 3.000, segundo cálculos de policiais militares.

 

          O presidente do Conselho, João Carlos da Silva, confirma: foram distribuídos mais de 5.000 cachorros-quente, 2.000 litros de refrigerante, mais de uma tonelada de balas. Além disso, também foram entregues 700 cestas básicas, para pessoas cadastradas ou através de sorteio. Para as crianças – que adoraram a festa –, os organizadores ofereceram piscina de bolinhas, cama elástica, balão pula-pula e parquinho, além de 2.000 brinquedos.

 

 

 

 

 

AS ARMADILHAS DA AMÉRICA DO SUL

          A América do Sul está se transformando num barril de pólvora. Ou seria de óleo ou gás? Talvez até excrementos. Verdade é que desde que o psicopata Hugo Cháves, o ditador da Venezuela, passou a arrotar democracia e a defecar insanidades, tudo em volta ficou muito confuso. Os reflexos podem ser sentidos na Bolívia, onde o discípulo de Chaves, o cocaleiro Evo Morales, está conduzindo o país ao caos institucional. Parodiando o ditador venezuelano – que tentou conquistar, através de um plebiscito, que inicialmente tinha cartas marcadas, poderes ilimitados –, também o presidente boliviano encurralou a sociedade civil, que de imediato reagiu. Em recentes manifestações populares, os defensores de Morales mataram quatro pessoas. Tanto na Venezuela quanto na Bolívia, as oposições crescem em prestígio, inclusive aos olhos de organismos internacionais.

E foi justamente a vigilância da imprensa internacional e de representantes de organismos de outros países, inclusive do Brasil, que possibilitou a vitória do “Não” no plebiscito de domingo, 2 de novembro. Foi uma vitória apertada, que significou um recado a Hugo Cháves, que, recentemente, vinha se comparando a Deus. Pobre terrestre do rabo vermelho! Cháves queria alterar a constituição para se manter eternamente no poder. Não deu certo. O resultado das urnas também pode ser interpretado como um recado aos petistas, que sonham com um terceiro mandato para Lula da Silva. Como Cháves é o orquestrador desse tipo de golpe, talvez a idéia tenha sido abortada no Brasil.

De fato, o mentor de toda essa paranóia, de resultados imprevisíveis, é o “cumpanheiro” Hugo Chaves. Infelizmente, o presidente Lula da Silva, que deveria impor respeito na região, pelo peso que o Brasil tem no continente, trata o demagogo como um democrata. Rebelde, mas democrata. Só que se trata, sr. presidente, de uma perigosa e arriscada rebeldia.

Hugo Chaves, a quem o rei Juan Carlos de Espanha, ordenou que se calasse, frase curta que se tornou célebre em todo o mundo, vem trilhando caminhos perigosos. Além do bate-boca que proporcionou em uma reunião de cúpula, no Chile, onde, mal educado que é, falou mais de 40 minutos, quando o protocolo permitia magros cinco minutos, o venezuelano da cueca vermelha, passou, recentemente, a assumir a postura de intérprete dos narcotraficantes das Farc colombianas. Veja o ridículo da situação: o presidente da Venezuela agindo como interlocutor dos guerrilheiros bandidos da Colômbia.

E, quando o presidente colombiano, Álvaro Uribe, cortou as asinhas do falastrão Cháves, este deu início a uma crise de relações entre os dois países. Atingido duramente em suas estranhas pretensões, Hugo Chaves, depois de exigir mais dignidade e humanidade para os narcotraficantes e seqüestradores, anunciou a suspensão das relações com a Colômbia.mesmo congelamento nas relações bilaterais com a Colômbia, Hugo Cháves está impondo à Espanha por conta do “porque não te calas”, imposto pelo rei Juan Carlos. Cháves exige desculpas do rei, que conquistou imediato apoio popular.

Na Bolívia, segundo a imprensa internacional, os enfrentamentos entre civis e policiais e a votação da Assembléia Constituinte, da qual a maior parte da oposição não participou, aumentaram a tensão em Sucre, cidade do Sul, que reivindica ser a "capital plena" do país, ou sede de todo o governo nacional. Sucre é nominalmente a capital da Bolívia, mas abriga apenas o poder Judiciário, sendo que o Legislativo e o Executivo têm suas sedes em La Paz. Porém, nem numa nem na outra cidade, nada de paz.

A nova constituição boliviana foi votada e aprovada por unanimidade, sem a presença da oposição, dentro de um quartel militar. Isso é que é democracia, estão a dizer fanáticos esquerdistas brasileiros.Assim está a América do Sul. Crise na Venezuela, onde também já ocorreram mortes. Crise na Bolívia de Evo Morales, sob influência do ditador Cháves. Crise na fronteira com a Guiana, onde soldados chavistas promoveram uma escaramuça, há poucos dias. Crise no setor imprensa, com o fechamento de redes de rádio e de televisão, cuja liberdade de expressão foi recentemente arranhada ainda mais, quando uma deputada, ferrenha defensora de Cháves, invadiu o auditório de um programa de tv e agrediu o apresentador, ao vivo e a cores. Crise nas relações Argentina-Uruguai, por conta de uma pendenga ambiental por causa de uma usina de celulose.

O que se espera é que o governo brasileiro deixe de lado o fanatismo ideológico, para alinhar o Brasil a grandes nações

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ACORRENTADOS, O FILME DA VIDA REAL


No final dos anos 60, um filme estrelado por Tony Curtis e Sidnei Poitier, rodado em preto e branco, fez muito sucesso. “Acorrentados”, cujo diretor não sou capaz de lembrar, tratava de uma fuga de dois presidiários, um branco e um negro, justamente acorrentados pelo aço, mas separados pelo preconceito racial. Este, o motivo original do drama.

Quase meio século depois, Palhoça (“Bela por natureza”), é elevada à condição de set de filmagem, justamente de um filme, que bem pode ser chamado de “Acorrentados 2” - Um filme de Ronaldo Benedet, financiado pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Segurança e Defesa do Cidadão e também subsidiado pelo Poder Judiciário.

Acorrentados, o filme rodado em Palhoça, tem personagens reais, alguns deles autores de estupro, roubo, assalto, tráfico de drogas. Portanto, não são “ladrões de galinha”, como alguns insistem em afirmar, até em colunas de jornal. Dito isso, devemos, publicamente, nos manifestar em defesa da delegada Andréa Pacheco, contra quem o secretário Benedet tenta imputar toda a culpa, para se livrar da responsabilidade. A delegada cumpriu o seu dever, em respeito à sociedade, que paga seu salário, através de impostos. Suas equipes de trabalho, que formam um reduzido efetivo, prendem, ela autua em flagrante e comunica o fato ao Poder Judiciário. Daí em diante, o preso é responsabilidade do Estado.

Se não tem vaga na cadeia imunda de quatro celas, onde sobrevivem até mais de vinte infelizes simultaneamente, não é problema da delegada Andréa. É assunto do Estado, da responsabilidade do governador Luiz Henrique da Silveira, do Secretário Benedet, do Secretário da Justiça, Justiniano Pedroso, do presidente Lula da Silva, que não destinou um centavo do PAC da Segurança para Santa Catarina. Até porque, o crime, como vem ocorrendo no Brasil, é assunto nacional. A delegada Andréa não pode soltar bandidos perigosos, nem os levará para sua casa. Talvez alguma das importantes autoridades citadas, se apresente voluntariamente, para abrigar os criminosos em suas mansões. Talvez no canil, com certeza mais espaçoso que a cela da Delegacia de Palhoça.

O caso não está resolvido. Apenas foi empurrado para debaixo do tapete. A superlotação nos presídios de SC persiste, como uma chaga incurável. Para abrigar 12 mil presos, o sistema carcerário oferece 6.500 vagas. Mais grave, ainda, gravíssimo: 18 mil mandados de prisão expedidos pela Justiça não são cumpridos, por falta de celas. Os criminosos, condenados, estão soltos, entre nós. Diante da crise, aparece o secretário Benedet, alardeando que “está fazendo o dever de casa”. Não tá não, doutor. Talvez o senhor esteja cuidando dos seus votos para mais uma reeleição à AL, o que poderá mantê-lo por mais tempo à frente da SSP. E não convence sua fala de desconhecedor do problema. O filme Acorrentados, versão Palhoça, existe há mais de dois anos. Mas, parece que a onda Lula, aquele que nunca sabe de nada, contaminou Benedet.

A delegada Andréa não está sozinha no set do filme da desgraça. Pelo seu trabalho correto, ela tem o apoio dos munícipes de Palhoça, cidade onde vivem mais de 130 mil habitantes, e crescendo. Por indicação do presidente, Nirdo Artur Luz (Pitanta, PFL), a Câmara de Vereadores aprovou duas moções. Uma, de repúdio à atitude do secretário Benedet, com cópia ao governador; outra, de apoio à delegada Andréa Pacheco, com cópia a Benedet e LHS.

E que os deputados da CPI dos Presídios, que ficaram muito enfurecidos com a atitude da delegada de Palhoça, desistam de suas intenções de conduzir “a ferros” a policial à Brasília, para depor. Primeiro, lavem a roupa suja do Congresso Nacional, que fede para todo o País. Aqui no Sul, as coisas estão bastante claras. Senhores da República do Mensalão, condenamos o Estado, pela omissão, e defendemos a posição da polícia de Palhoça, que não soltou os bandidos. Submetê-los às correntes, é uma prática medieval, admite-se. Mas eles cometeram crimes gravíssimos. O Estado que se esforce para mantê-los em celas adequadas. Soltos, nas ruas, jamais. E ponto final. Mas, não se preocupem, senhores escandalizados de Brasília, capital brasileira da corrupção. Para amenizar a situação, a Secretaria de Segurança de SC está criando o kit-cadeia, que consiste de uma coluna, uma corrente com cadeado de 1,99, uma garrafa pet para o preso urinar, uma sacola de supermercado para defecar. Na sacola vão alguns santinhos de políticos, que, na hora do aperto, serão muito bem utilizados.

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